ONSK8ER#10|Gustavo Ribeiro

publicado há 2 semanas por 0

Estamos perante o melhor exemplo certo, de que o skate também pode ser feito de objectivos bem definidos. E com bastante trabalho e dedicação muitos podem alcançar o que mais desejam. O Gustavo Ribeiro, ilustra na perfeição o que acabamos de afirmar, e tem sido através de muito trabalho, foco e algumas decisões chave que se tornou num dos melhores amadores do ano a nível mundial, e vencedor do TAMPA AM a competição mais prestigiada em todo o mundo.

Sempre muito focado no lado competitivo, é através dele que este skater tem progredindo e cada vez ganha mais destaque, os últimos 3 amos, provavelmente foram os mais importantes para uma jovem carreira de skater, mas será que para ele há mais que competição?

E agora como será direcionado o seu rumo? Logo fez todo o sentido esta entrevista nesta altura.

Patrocínios: DC SHOES, JART, INDEPENDENT, BRONSON, RICTA, GRIZZLY, KRYSP, BANA, EMENTA SB

Bem Gustavo, nós sabemos que no mundo do skate, todos sabem quem és mas mesmo assim é a altura de te apresentares.

Sou o Gustavo Ribeiro, tenho 16 anos, moro em Carnaxide com a minha mãe e no Estoril com o meu pai, ando a estudar no 10º ano, e ando de skate todos os dias que posso.

Como é que tudo se proporcionou, para que hoje andes de skate em todos os dias que podes?

Quando eu tinha 5 anos, o meu tio ofereceu um skate a mim e ao meu irmão, e logo em Janeiro, o meu pai inscreveu-nos na escola de skate do Luís Paulo onde tinhamos aulas 3 vezes por semana. Passado um ano, começamos a competir, onde eu e o meu irmão fizemos logo uma 2ª e 3ª posição. Cerca de dois anos mais tarde, passámos a ter aulas de skate privadas. Daí em diante foi o meu gosto pelo skate, por evoluír e aprender manobras novas, ao loo do tempo foi se tranformando no que sou hoje e acho que esta paixão pelo skate nunca irá desaparecer.

Tu és das primeiras gerações em Portugal que me certa parte são fruto das escolas de skate. Achas que foi decisivo para ti, mas também para outros que hoje estão aí e a andar muito?

Eu penso que sim, uma vez que a escola de skate te ajuda de uma forma mais rápida a evoluír, uma vez que tens um professor que te ajuda e isso faz também com que superes os teus medos. O inconviniente é que as aulas são um custo que pode ser algum, em função de quantas aulas queres ter, mas foi das coisas mais importantes que me aconteceram para dar os primeiros passos e solidificar as minhas bases. É claro que depois de teres aprendido o básico, já podes começar a evoluír por ti mesmo.

Tendo um irmão gémeo, consideras que foi importante para vocês os dois, a vossa relação para chegarem onde estão hoje?

Eu acho que sim, pois quase todos os dias que ando de skate, é com ele que eu ando todos os dias e somos nós que nos motivamos mais um ao outro para evoluír. Eu acho que até é uma pica extra, e odeio andar sozinho, se estiver no park e estiver com o meu irmão a motivação é sempre maior. Quem não tiver irmãos, há de ser mais triste… não sei explicar muit bem esta última parte(risos).

Enquato skater como é que te podemos defenir? Consideras que és mais competidor, ou todo o teu investimento pessoal em competir e treino no skatepark, é para ganhares o máximo de retorno mediático de modo a seres mais conhecido, e evoluír para outros projectos no skate?

Eu sinceramente compito, porque gosto mesmo muito disso, e considero-me mesmo um competidor.

E dentro desse perfil de competidor, encaras-te mais sendo um atleta ou um skater?

Como um skater, mas também como um atleta, porque para conseguires ter sucesso numa coisa, tu tens de fazer uma série de passos e tentar não falhar, como dormir bem, comer bem e treinar. Para tu conseguires ganhar uma competição importante, tens de ter uma série de regras que o normal skater não tem. Considero que só skatar com os amigos e passar muito tempo na rua, não é a forma ideal para quem queira chegar ao topo competitivo.

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Apenas queres trabalhar esse lado de skater de competições, ou a rua também está nos teus planos?

Um dos trabalhos que pesa mais na carreira de um skater são as vídeo parts e o skate na rua, logo eu também quero ir skatar na rua da mesma forma que estou focado nas competições. Muito do respeito e reputação que um skater ganha, vem da rua e não do que tu fazes no skatepark, eu acho que consigo fazer as duas coisas, pois eu treino mas também quero andar o máximo que posso na rua, e sobretudo sempre que estou em L.A. eu tento filmar o máximo que consigo.

Aproveitanto o balanço e já que estamos a falar tanto de competição, diz nos o que vai na alma sobre o tema do skate nos jogos olímpicos.

Eu sinceramente não sei o que pensar, pois aqui em Portugal nada se sabe ao certo sobretudo sobre a federação, e ainda falta algum tempo para os jogos, e até lá muita coisa pode mudar.

Mas gostavas de participar?

Eu sinceramente gostava de participar, desde puto que curto dos jogos, mas neste momento a federação, os jogos olímpicos e as regras estão um assunto bastante complicado e eu não sei o que pensar.

Ainda é fresca a vitória no Tampa AM, e uma vez que foi por um triz que passaste ao dia final, mas até já tens bastante experiência em competições internacionais, acreditavas que a vitória estava ao teu alcance?

Eu antes de ir para Tampa, achava que podia ganhar, mas que isso era mesmo muito difícil. Durante a competição para ser sincero, já não estava a pensar muito nisso e a pressão não era tanta, uma vez que achei quase impossível, uma vez que passei em ante-penúltimo à semi-final. Na minha cabeça depois do Jorginho ter estado o fim de semana todo a partir tudo, pensei que seria o Jorge a ganhar. Na noite anterior pensei um bocado nisso, mas na minha cabeça fiquei apenas com o objectivo de andar à minha maneira e tentar não falhar. O que os juízes mais querem é ver boas runs e limpas sem falhar, fiz isso e consegui passar para a final, a partir daí tentei me acalmar o mais que consegui, tentar ao máximo limpar a cabeça e foi assim que consegui.

Relativamente às tuas condições sobre patrocínios, desde Tampa já houve algumas evoluções, ou mantém se tudo na mesma?

Além das marcas que já me estavam a patrocinar ou a apoiar, passei agora a ser flow rider da GRIZZLY, BRONSON, RICTA e INDEPENDENT e as minhas condições na DC SHOES também melhoraram.

Entretanto, tu que já passas uma parte do ano nos Estados Unidos, agora vais voltar para lá de uma forma mais temporária, queres falar um pouco sobre isso?

Para já acho que vai ser um pouco estranho, pois vou ficar muito mais tempo afastado do meu irmão e do resto da minha família, mas tem de ser assim, pois ficar agora aqui em Portugal pode não ser a melhor escolha para mim, e vou tentar a minha sorte lá fora.

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Uma coisa interessante no teu trajecto, é que embora tenhas competido bastante na Europa, o teu trajecto pouco ou nada dependendeu de teams europeus ou de bons resultados em competições, podemos dizer que tiveste alguma sorte certo?

Sim sem dúvida que tive sorte e agora com esta vitória no Tampa AM, sou visto como um skater internacional e mais conhecido e ainda bem, pois as boas oportunidades estão na Califórnia.

E a partir de amanhã quais são os teus planos, embora sabemos que todos gostamos muito de estar aqui, pensas mesmo um dia viver na Califórnia, estás já a pensar dessa forma?

Os meus planos neste momento passar o máximo de tempo lá, mas também o máximo de tempo aqui, com os meus amigos e família, mas as oportunidades aqui são muito remotas, e quanto mais cedo eu for para lá mais são as probabilidades de me safar. Não quero ter aquela sensação que andei a “dormir”.

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Conhecemos muitos skaters que embora seja bom viajar, gostam mais de estar por cá, em casa, tu também pensas assim, ou gostavas mesmo de viver lá?

Eu sinceramente não morro de vontade de ir para lá, é fixe estar na Califórnia se estiveres rodeado daqueles que são mais importantes para ti, se eu for para lá sozinho o interesse não é o mesmo. Eu sinto mais uma obrigação em ir para lá para ver se algo melhor me acontece. Não quer dizer que estar lá não seja fixe, mas a privação dos amigos e família, não te deixa desfrutar daquilo da mesma forma, e ser skater profissional e ficar aqui em Portugal, isso não vejo a ser possível.

À quase dois anos atrás viajamos juntos para a Califórnia, antes disso já lá tinhas ido e muitos outros lugares também foste para skatar. Tudo se resumiu a escolhas e a investir quase tudo o que foste ganhando, para hoje estares nesta posição e quanse de certeza que fizeste as melhores escolhas certo?

Sobretudo, todas as viagens que fiz aos Estados Unidos, pois é lá que está todo o “jogo” do skate, e sempre que lá fui acabei por conhecer mais pessoas e ser mais conhecido, e quanto mais tempo lá passar melhor será. Quando fomos juntos, foi muito fixe, pois muito me aconteceu desde uma boa classificação no Damnn Am, até ter filmado o meu primeiro “Banging” no BERRICS.

Vamos sonhar um pouco e imaginar que tens a tua casa na Califórnia, e podias eleger 5 pessoas para estarem contigo, quem seriam elas?

As minhas 5 pessoas seriam o meu irmão, o Durand, o Miguel Pinto, o Trabucho e talvez o carmona, que são eles com quem passo mais tempo a skatar.

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Como será a tua vida a partir de agora lá, consegues descrever isso?

Basicamente o que vou lá fazer será aquela rotina de quem acorda, depois ir para o skatepark andar e fazer um bom aquecimento para o dia, e filmar o mais que consiga de tarde, pois agora tenho várias parts para preparar por causa de ter entrado nas marcas que acabei de dizer, e então vou ter que dar o melhor de mim.

Voltando um pouco ao tema competição, a verdade é que consegiste com a vitória de Tampa, ganhar acesso ao SLS Pro Open em Barcelona, que serve também como etapa de qualificação para dois skaters que se vão juntar aos restantes pro’s, já pensas muito nisso embora seja só em Maio?

Não não penso muito nisso ainda, embora sei que irá ser mesmo muito dificil, uma vez que vão ser 33 pro’s, e só dois deles é que avançam para o world tour. Eu sendo ainda amador é logo muito mais complicado, mas não é por isso que vou deixar de acreditar que sou capaz e vou dar o meu melhor.

E há algum objectivo perfeito de vida além de competir no Street League, ou existe algo mais que ambicionas?

Desde que tenho 7 anos que vejo, que o meu maior sonho é competir ali, e sinto que o posso concretizar.

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Quem são os teus skaters favoritos nacionais e internacionais?

De lá é o Nyjah, Shane O´Neill, Trevor Colden, Miles Silva e Felipe Gustavo. De cá é o Jorginho o BP, o Tiago Lopes o meu irmão e agora também o Durand que está a começar a andar mesmo bem.

Da mesma forma que tu já foste visto como uma promessa no skate nacional e acabaste por confirmar as expectativas, quem é que tu vês cá com possibilidades do mesmo?

Assim de repente, vejo o Daniel Santos que tem vindo a evoluír sobretudo neste último ano e o Madu do Porto que ainda tão pequeno, já anda mesmo bem e cheio de pica.

A curto prazo há mais alguma coisa que esteja nos teus planos para concretizar?

Sobretudo tudo o que tenho para filmar nos próximos tempos, de resto nada de especial.

Então e um tanto ou quanto em resumo, o que consideras que foram os teus passos certos, para que os teus objectivos tenham sido concretizados?

O principal motivo foi a pressistência, pois eu quando meto uma coisa na cabeça é trabalhar para a concretizar, logo se defino um objectivo é dar tudo para que ela aconteça.

E o que é que podes dizer a quem luta pelo mesmo ideal que tu?

Que sobretudo sejam humildes, e não deixem que a fama seja ela muito ou pouca, vos “suba à cabeça”, que definam objectivos e se divirtam.

Últimas palavras, o que queres dizer?

Quero agradecer muito à minha família e aos meus patrocinadores DC SHOES, JART, INDEPENDENT, BRONSON, RICTA, GRIZZLY, KRYSP, BANA, EMENTA SB, a todas as pessoas que me ajudaram e também às que me apoiam, aos meus amigos.

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