O Gabriel Ribeiro representa o melhor do skate nacional na actualidade e quando pensamos que está prestes a fazer 18 anos, a sua história que parece já um tanto ou quanto grande, ainda está no começo.

Pisou um skate pela primeira vez muito jovem, e hoje todo o style e power que tem a skatar é facilmente justificado, com a vantagem que um skater tem, se começar a dar os primeiros passos bastante jovem, mas só isso não será suficiente, caso não te dediques com todas as forças e paixão e claro muito talento.

Tem sido um grande prazer acompanhar todo o percurso deste skater, e vamos tentar resumir parte desse caminho e e não só, nesta entrevista, na esperança que daqui a alguns anos, voltemos à conversa com muitas e mais histórias para contar.

Patrocínios: ELEMENT, DAKINE, MOCHE, INDEPENDENT, FOOTPRINT, BANA, CRUPIE, NEW BALANCE e SUMOL.

Antes de mais, apresenta-te, embora duvidamos que alguém ainda não te conheça…

Sou o Gabriel Ribeiro, ando de skate à 14 anos, faço 18 anos daqui a 2 semanas, vivo em Carnaxide e o skate é a minha vida.

Conta-nos como é que tudo aconteceu e começaste a andar de skate.

Tudo começou aos 5 anos, quando o meu tio me ofereceu um skate e fui começando a andar, mais tarde o meu pai ofereceu me outro, entretanto comecei a ter aulas de skate com o meu irmão, fomos evoluindo até aos dias de hoje.

Durante estes 14 anos que andas de skate, a maior parte desse percurso foi feita com o teu irmão, fala-nos da experiência, de na maior parte desses momentos ele ser uma presença quase constante.

Ter um irmão gémeo e que também anda de skate é o melhor apoio que podes ter, porque tens sempre alguém que está contigo a skatar e a “puxar” por ti e fazemos isso mutuamente. No meu ver isso é uma grande vantagem, pois para outros a experiência é muito mais “solitária”, enquanto que uns precisam de música o outras formas de motivação, comigo o meu irmão está quase sempre lá, ele puxa por mim, seja para motivar, filmar ajudar no que for necessário. Actualmente estamos um pouco mais separados, cada um de nós está a traçar um caminho mais individual, ele está mais focado em competição. O meu irmão sabe bem o que ele quer, e está a ser um grande sucesso. Eu estou noutro registo, sinto que estou mais “chilling”, estou também a fazer o que sinto, mais tempo na rua e nas minhas “cenas”, mas mesmo assim não deixamos de nos motivar um ao outro.

BS LIPSLIDE

Existe alguma vantagem em haver um gajo com uma cabeça igual à tua!?

Vantagens não sei se existe alguma (risos). A única que eu vejo de repente, é que eu posso passar por ele e vice-versa, tipo podemos ter a mesma namorada(risos). Mas fora de brincadeiras, as vantagens, é que o facto de teres um irmão gémeo já é algo que te distingue dos outros, e ao andarmos ambos de skate te pode dar ainda mais visibilidade, e isso sempre aconteceu com a gente, sermos os “gémeos do skate” foi uma maneira de nos evidenciarmos mais aliado ao facto de nos termos tornado os dois bons skaters.

E existe algo menos bom em serem dois?

Não creio que existe algo de mau nisso, provavelmente só não gostas de ser constantemente confundido com o teu irmão, mas eu não vejo isso como uma coisa má. Até cerca dos 14 anos de idade, sempre foi tudo muito igual para os dois, falando de skate, sempre nas mesmas marcas, mas a partir daí foi quando cada um de nós começou a marcar a sua individualidade e logo as diferenças passaram a ser mais evidentes, por exemplo em patrocínios umas marcas procuraram mais o meu irmão por causa das suas qualidades, e a mim por outras. Não considero que isso seja algo menos bom, pelo contrário, acentua mais a personalidade de cada um de nós.

E entre irmãos, vocÊs dão se sempre bem ou “stressam muito”?

Nós temnos uma relação muito saudável, mas é raro o dia que não discutimos, mas isso passa sempre depressa e fica logo tudo na boa.

Quais são as qualidades que te definem enquanto skater.

Power, vontade, dedicação, velocidade, a minha maneira de ser e como eu encaro as coisas.

E falando de objectivos no futuro.

Acima de tudo evoluír cada vez mais, mostrar essa evolução através de novas vídeo parts, viajar, conhecer mais pessoas, obter melhores classificações em campeonatos, acima de tudo mostrar a mais pessoas quem sou e tentar chegar o mais longe possível com o skate.

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Achas que o skate está numa fase de grande transformação, muito por causa da competição isto numa altura em que o skate faz parte dos jogos olímpicos?

Claro. Desde que o skate entrou nos jogos olímpicos. Tenho visto muitos skaters a alterar parte dos seus objectivos e mesmo a maneira de pensar por terem vontade de querer entrar nos “jogos”, desde começarem se a preparar para isso, a tentarem ter um apoio monetário do país deles, e muitos querem tentar mostrar que estiveram presentes nos primeiros jogos olímpicos.

E achas que o lado core do skate pode sair a perder como todas estas mudanças?

Eu acho que cada vez mais vão haver dois lados no skate, o daqueles que querem competir e fazer uma carreira disso, e o resto vai continuar a acontecer, aquilo que veja mais facilmente a acontecer é acentuar a diferença e uma maior separação, entre os skaters que querem fazer vida da competição daqueles que querem permanecer no lado mais “core” do skate. Eu quero competir e quero tentar estar presente nos jogos olímpicos, mas ao mesmo tempo não quero deixar de fazer as mesmas coisas de agora, sobretudo divertir-me junto dos meus amigos, levar uma vida normal de skater que também passa por estar muito tempo na rua. Eu não quero estar dividido entre competição e rua, quero fazer as duas e dessa forma garantir um melhor futuro para mim enquanto skater.

Como é que vês o skate cá em Portugal.

Por cá vejo o skate muito fraco, sobretudo por causa da mentalidade do pessoal, está muita gente preocupada em fazer dinheiro do skate, e não verdadeiramente preocupada com o que o skate representa e como as coisas se podem transformar por causa dessa maneira de pensar. Eu penso que não existe muito espírito de comunidade, há muita conversa de deitar abaixo e pouca atitude de união.

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E entre os skaters como sentes as coisas?

Sinto que cada vez mais há pessoal a aparecer, com o objectivo de serem reconhecidos e quem sabe apoiados ou patrocinados, o pessoal cada vez mais começa a andar de skate para “ter dinheiro e fama”, eu comecei a andar de skate pela diversão e as coisas apenas foram acontecendo, acho que todos deveriam fazer o mesmo. Se forem bom tudo irá naturalmente acontecendo.

Hoje em dia, sentes que és um exemplo e um influenciador enquanto skater?

Eu sei quem sou e o que represento sobretudo enquanto skater, logo não quero ser um mau exemplo para ninguém.

Achas que lá fora tens desvantagens em seres Português?

Claro, basta seres europeu e isso já é uma desvantagem, depois por ser Português ainda fica mais difícil.

Tens alguns hobbies além do skate.

Para além do skate, o resto do meu tempo é passado com a minha família e com a minha namorada.

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E chegamos ao tema das “babes”, até que ponto para um skater pode ser influenciado pelo bem e pelo mau, pelas namoradas?

Se te dedicares muito à outra pessoa, vai ser muito complicado para andar de skate e conciliar as coisas, eu tenho uma namorada que entende muito bem o que faço, e é ela própria que me motiva ainda mais para skatar mais e ser mais focado nos meus objectivos. Ela sabe que o meu futuro passa por aqui e logo entende que as vezes tenho de escolher o skate, tudo passa por manter o equilíbrio.

No passado as coisas não correram tão bem com relações, já tive uma namorada durante dois anos, e dei demasiada importância à relação, é claro que isso não foi bom e não quero voltar a repetir. Tens de ter muito cuidado como geres o teu tempo.

Falando de viagens e viver além fronteiras, vês te a viver fora de Portugal?

Vejo me a viver umas temporadas a viver fora daqui. Gostava muito de passar temporadas maiores na Califórnia e também a conhecer mais o mundo e a conhecer cada vez mais países.

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Quem é o pessoal que te dá mais pica e admiras?

Aqui na “tuga”, eu adoro skatar com o Durand, o Jorge, com o BP, o meu mano o Miguel Pinto é o pessoal que me dá mais pica. Lá fora tenha andado muito tempo com o TJ Rogers, passo muito tempo com o Bryce que é um filmer e ele tem sempre um monte de amigos, o Kelvin Hofler entre outros.

Tu é de uma geração, que cresceu num mundo que é cada vez mais digital e o skate não é excepção, onde as pessoas dependem cada vez mais de internet e do telefone e redes… muitas redes. É tudo vantagens ou há um lado menos bom?

O bom é que dantes para que te conhecessem, tinhas mesmo de marcar presença em certas situações e tinhas de viajar muito, hoje em dia podes ser conhecido por causa do instagram, mas isso tem um lado mau, pois nem sempre aquilo que estás a ver no feed é a realidade. Mas na maioria das situações as redes sociais são uma grande forma de comunicar e de te mostrares.

Tens alguma história estranha que envolvem as “redes”?

Recebo muitas mensagens e algumas são bem estranhas(risos). Mas também foi através das redes que já conheci bastantes pessoas, começas por seguir alguém, vais deixando aquele like, depois passa a uma mensagem, até que por vezes conheces pessoalmente as pessoas e também consegues fazer amigos através das redes.

Começaste a skatar ainda muito novo, e claro sempre rodeado de pessoal mais velho. De certeza que sempre foste recebendo muita sabedoria e bons conselhos, mas será que às vezes os mais velhos também se podem tornar chatos?

No fundo, tem sido sempre muito positivo conviver com o pessoal mais velho, sobretudo por tudo o que eles te podem ajudar, mas as vezes há sempre aquele “bitaite” ou maneira de pensar que nem sempre cai bem, afinal eu tenho a minha personalidade as minhas decisões e a minha maneira de pensar.

FS BLUNTSLIDE

Antes de terminar não o podemos fazer sem falar sobre a tua vídeo part nova para a ELEMENT que vais estrear agora, queres falar um pouco.

Sim, Estou muito contente de lançar esta part para a ELEMENT, acho que vai ser a minha melhor vídeo part, gravada não só por cá mas também em Barcelona e nos Estados Unidos durante o último ano, com o Ivan Vicente e com o Bryce, e parte destas imagens são de manobras que podem ver amanhã na apresentação do vídeo ou então depois online, mas gostava que o pessoal apareça amanhã e venham celebrar comigo.

O que queres deixar aqui à malta?

Pessoal acima de tudo, divirtam-se a andar de skate, não se deslumbrem e sejam humildes.

Ultimas palavras…

Quero agradecer ao Jorge Matreno e ao Ivan Vicente por estarem quase sempre comigo a fotografar e filmar. Quero agradecer aos meus patrocinadores por todo o suporte material e financeiro que me dão e que me permite viver desta forma e viajar, à minha família namorada e amigos por todo o apoio.

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